2.1.13

Mudanças


Venho dizer que, a cada dia que passa, vejo que as pessoas são mais diferentes do que eu imaginava.
Para mim eram todos iguais e suas diferenças de baseavam em pequenos traços de sociedade que lhes foram impostos. Mas não, as pessoas são, de fato, diferentes. Pelo menos é isso que espero, pois, senão, serei condenado a viver sob julgamentos constantes, tristezas profundas e dúvidas insaciáveis.

Até 2012 escolhia acreditar que ninguém mudava. Escolhia acreditar que eu era a vitima e, todos os outros, vilões ingênuos. Escolhia levar certas coisas ao total extremo e outras à margem. Escolhia desacreditar em valores que nunca analisei e, porém, acreditar na moral do contexto em que me inseri. Escolhia me manter na profunda ignorância do egoísmo, justificando-o com estereótipos [in] conscientes.
Escolhi, acima de tudo, fazer dos outros peças do meu próprio quebra-cabeça. Mas acabei por deixar algumas peças escaparem, de modo a fazer buracos. Escolhi valorizar muito em detrimento do pouco, e pouco aquilo que poderia ser muito.

Aquela história da “falsa liberdade” sob a qual estamos sujeitos não cabe aqui nem ali. Estamos livres para fazer nossas próprias escolhas. A liberdade não é democrática e nem igual para todos, mas não deixa de sê-la. Isto é, cada um, sob suas próprias condições, sejam elas impostas ou não, possui a liberdade para se livrar de tudo. Acima de tudo a liberdade é a morte, o que apenas incita o seu totalitarismo.
Existe a completa alienação? Um dia já pensei que a ignorância era pior do que o conhecimento. Hoje... gostaria de ser alheio a tudo, apático e impassível. Gostaria de não ligar tanto e de viver numa realidade fechada, única e ingênua. Talvez eu já viva aqui. Talvez quanto maior a ignorância, maiores são os rancores. Talvez.

O autoconhecimento é o que eu mais procuro.

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